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sábado, 10 de julho de 2010

Amar, verbo intransitivo

Há muitos anos, ainda no colegial, li um livro que me envolveu profundamente. O envolvimento não foi pelo tema em si, nem pela história, mas sim pelo seu título.
Quando Mário de Andrade escreveu Amar, verbo intransitivo queria mostrar a visão de uma sociedade paulistana do ponto de vista dele. Amante de Freud, o escritor utiliza a teoria freudiana como embasamento para a trama, onde o sexo é a base de tudo.
Mas, vamos ao que de fato chamou minha atenção. O que é um verbo intransitivo? É um verbo que designa uma ação que não afeta outro indivíduo, ou seja, é um verbo que possui sentido completo.
É engraçado o fato de cobrarmos amor ao outros. Cobramos amor dos amigos, familiares, conhecidos, até mesmo do seu cão você cobra amor.
Pensando no amor por esse outro ângulo, não se cobra amor. Amor é aquilo que você sente, independente do que o outro sente.
Como explicar o amor que você sente por uma pessoa que nunca viu pessoalmente, por exemplo, o filho de uma amiga que more em outro país? Precisamos amar intransitivamente, não importa quem, não importa o alvo.
Amor você sente, e do meu ponto de vista, só após aprender amar intransitivamente você poderá amar transitivamente.

Um comentário:

Unknown disse...

Adorei a sua visão do livro. Eu também já li. A leitura é uma coisa muito enriquecedora, mas como disse Nietzsche “Os leitores extraem dos livros, consoante o seu carácter,
a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores retiram, uma o mel, a outra o veneno".
No seu caso, você foi além e consegiu definir de maneira simples o que parece complicado: "Amor você sente."

bjs.

Marcinha